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FRELIMO destaca aposta jovem na escolha de Daniel Chapo

Silaide Mutemba | Lusa
6 de maio de 2024

Atual governador de Inhambane Daniel Chapo, de 47 anos, é o candidato da FRELIMO às presidenciais. Membros do partido no poder em Moçambique consideram que escolha responde às expectativas de um eleitorado mais jovem.

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Daniel Chapo, governador de Inhambane, na inauguração do estádio municipal da cidade de Maxixe
Daniel Chapo, atual governador da província de InhambaneFoto: Luciano da Conceição /DW

"Vai marcar a diferença porque a maioria do eleitorado revê-se no nosso candidato. É um candidato que tem uma idade com muita energia, portanto, é mesmo uma renovação que veio para marcar as próximas eleições", declarou este domingo (05.05) à comunicação social Celso Correia.

"É importante que toda a juventude reflita nesta aposta que a FRELIMO, fez para os próximos anos", frisou ainda o membro da Comissão Política da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), depois do encerramento da sessão na escola do partido, na Matola, nos arredores de Maputo.

"É resultado de muito tempo de trabalho e aqui temos, que é jovem. Estamos todos de parabéns", frisou Samora Machel Júnior, membro do Comité Central do partido e que tinha manifestado a intenção de concorrer à posição.

Verónica Macamo, membro da Comissão Política e atual ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, destacou a importância de "deixar o legado para os mais novos", sobretudo para os "melhores filhos".

Celso Correia, membro da Comissão Política da FRELIMO
Celso Correia: "A maioria do eleitorado revê-se no nosso candidato"Foto: Roberto Paquete/DW

Quem é Daniel Chapo?

O anúncio foi feito por volta das 23 horas de domingo (05.05). Daniel Chapo foi eleito com 225 votos, mais de 90%, na segunda volta.

"Vamos trabalhar com base no programa da FRELIMO, para a vitória no dia 9 de outubro", prometeu o candidato escolhido no final da sessão.

Daniel Chapo tem 47 anos de idade e é formado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade Eduardo Mondlane, em Maputo. Foi administrador dos distritos de Nacala a Velha e de Palma e neste momento é o governador de Inhambane.

Apesar dos relatos das discórdias quanto às listas apresentadas pela comissão política, Filipe Nyusi, presidente da FRELIMO, considerou que o processo decorreu de forma natural. 

"Foi um processo completamente natural que decorreu de forma abrangente, não procurou acomodar uma determinada zona por tendência, pois na FRELIMO elege-se militantes moçambicanos, independentemente da sua região ou origem", declarou o chefe de Estado.

Nyusi também afirmou que nunca considerou um terceiro mandato como Presidente da República. "Terminou a novela das especulações, incluindo a especulação do terceiro mandato", disse no encerramento da reunião do Comité Central do partido.

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Três dias de debates

Após três dias marcados por duros debates em torno da lista dos pré-candidatos apresentados pela Comissão Política da FRELIMO, finalmente o Comité Central decidiu proceder a votação de uma lista composta por Roque Silva, actual secretário-geral do partido e tido como preferido por Filipe Nyusi.

Faziam igualmente parte da lista Esperança Bias, atual presidente do Parlamento, Francisco Mucanheia, membro da Comissão Política e o antigo porta-voz do partido Damião José - que decidiu renunciar à candidatura.

A sessão do comité central foi igualmente marcada pelo anúncio de renúncia do actual secretário-geral do partido. Roque Silva Samuel, que era tido como candidato preferido de Filipe Nyusi, não conseguiu estar em vantagem, apesar de ser membro da Comissão Politica, órgão máximo do partido.

Esta é uma situação que vai, nos próximos dias, forçar a realização de mais um comité central extraordinário do partido.

Membros da FRELIMO em Maputo
Membros da FRELIMO em MaputoFoto: Amós Fernando/DW

Críticas ao andamento do processo

No final deste processo, alguns jornalistas entrevistados pela DW consideraram que a forma como o comité central eletivo foi conduzido deixou muito a desejar.

Para Bayano Valy, editor do site de notícias Moz Insight, este foi "um processo desorganizado", porque "se fosse organizado ter-se-ia votado logo no início. O jornalista considera que houve "quem quis tirar proveito dessa desorganização para manter o seu candidato."

O jornalista Luís Nhachote, do Centro de Jornalismo Investigativo, saiu desta sessão "um pouco desapontado", disse à DW. "As responsabilidades que a FRELIMO tem com este país são tao grandes que a vida do partido não mexe apenas com os seus membros, mas com toda a sociedade moçambicana. Há uma série de coisas que na sociedade moçambicana estão paradas dada a este evento em que se esperava que nos primeiros momentos se resolvesse", afirma.

Luís Nhachote diz que as divergências entre a Comissão Política e o Comité Central demonstram interesses de um grupo restrito que se quer manter no poder: "Ficou claro que há interesses dentro do partido, sobretudo da atual liderança, que pretende perpetuar-se através das listas que foram por eles escolhidas em oposição às propostas do comité central. Por tudo isso e estes dias todos demonstram que este comité central não foi pacífico."

A DW soube igualmente que o Comité Central teria pensado na possibilidade de suspensão do cargo de Filipe Nyusi como presidente do partido, um procedimento que não se verificou. Bayano Valy acredita que os mentores não alcançaram o quórum para o efeito.

"Eu quero crer que talvez os mentores que tinham essa ideia podem não ter conseguido alcançar os dois terços porque efetivamente tem que ter dois terços para suspender o presidente do partido e não alcançando os dois terços não tinham como avançar", conclui.

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